Hoje eu não quero ser adulta

Tem dias que você não quer ter que pensar no que vai jantar. Tem dia que você não quer ter que parar para abastecer. Tem dia que você não quer pensar sobre os problemas do trabalho, ou pior, na sua crise com a profissão. Tem dias que você não quer sua cabeça cheia com os seus problemas ou dos seus queridos. Tem dias que você não quer pensar, decidir, discutir… Quer ignorar as crises existenciais, a idiotice do mundo, a dor de cabeça.

E tem dia que tudo isso vem junto.

Aí você pensa, só queria aquele chazinho de melissa acompanhado da frase: vai ficar tudo bem. E sempre fica. Nem de longe é um dos seus piores dias. É só um daqueles dias que você não queria ter que ser adulta.

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Todas têm sua própria Quitanda

Nem vou entrar no mérito da veracidade dos fatos acontecidos no Quitandinha Bar, naquele fatídico carnaval, não tenho meios para saber o que houve, afinal.

A verdade é que todas nós tivemos que aprender a lidar com os inúmeros assédios vividos no decorrer dos anos. E se engana muito quem pensa que assédio são só aquelas histórias absurdas, que qualquer um condenaria.
Todas aquelas pequenas agressões, transgressões, violência, enfim. E quando digo aprender a lidar, não é (necessariamente) no sentido de aceitação. Até para não aceitar e tentar dar um basta em tanta “porqueira” é preciso aprender.
Diz aqui uma sobrevivente, que encarou um mundão desrespeitoso ao denunciar apenas mais uma dessas covardias.
Bem sabem as meninas que isso não vem de hoje. Hoje é sim muito mais aceitável falar a respeito, é ate incentivado trazer a tona, tem muito mais pessoas solidárias. Mas continua sendo muito difícil, pelo menos para a maioria.
#meuprimeiroassédio
Juro que nem consigo me lembrar. Lembro do #meuamigosecreto com aquela brincadeira nada saudável e menos inocente ainda.. Embora ainda éramos tão ingênuas.
Ingênua também ao pensar (tão idiota) que o moço (monstro) estava carregando um guarda-chuva no ônibus. Não tão ingênua assim, quando voltando da faculdade, morta de cansaço depois de um dia muito longo, se entrega ao sono no ônibus e acorda com um doente te tocando, fingindo segurar uma latinha. E nada ingênua para denunciar um chefe, dizer ao mundo não pode te chamar de vadia achar e isso deva ser encarado como uma brincadeira.
Só que aí vem a mais dolorosa violência… Lidar com tudo que vem junto com a sua denúncia. Sua vida vira pública. Todo mundo se acha no direito de opinar. Uns até com boas intenções.. porém sem ter a mínima noção do quanto isso desgasta. Cansa. Estressa. Te faz sair de si.
Sempre soube da importância de denunciar, qualquer tipo de violência, abuso, agressão. Continuo incentivando para que se denuncie, sempre. Mas também sou completamente compreensiva com quem opta por não falar. A culpa nunca é da vítima, mas a vítima se torna cada dia mais vítima das agressões seguintes (a exposição é a primeira delas). E com isso é muito difícil lidar.

Ficou para trás, e tá tudo bem

Sabem aquele texto que anda circulando por aí sobre a importância de ir embora?

Para quem não leu, pode conferir aqui

De verdade, me identifiquei logo de cara. E depois, relendo, parei para pensar em que realmente faz muito sentindo. E me refiro aqui, especialmente no que diz respeito a seleção natural das coisas e da vida.

Sim, porque todas as vezes que “fui embora” tive aquela sensação, de querer manter contatos e participar de alguma forma. Algumas coisas deram certo, outras não. Você pensa em falar com aquela antiga colega de trabalho, com quem achava que tinha uma cumplicidade, mas se lembra que as poucas vezes que se falaram desde então, foi você que a procurou, e a conversa sempre fluiu mais parecendo com uma entrevista, do que como um bate papo. E hoje, senti vontade de mandar de novo, um: E ai, tudo bem? como estão as coisas? lembrei de vc… Só que aí eu lembrei de todas as vezes que fiz isso antes… e então desapeguei.

Sei lá, até soa meio triste… Mas a verdade é que não necessariamente a gente tem a mesma importância que eles tiveram para nós. E assim é avida, minha gente. Comigo, com você, com todos nós. E por isso, sempre que tivermos vontade, vamos embora, sem peso, o que ficar pelo caminho é que o que ficaria de qualquer jeito.

Ahh esse panelaço

Ontem estava voltando para casa, e ouvi meio de longe, o “panelaço”. Foi quase que automático entrar no facebook e ver inúmeras pessoas reclamando do panelaço. Nada contra quem reclamou ou quem apoiou a manisfestação, o engraçado, é que a maioria dos argumentos, diziam “bater tramontinas” “do alto da sua varanda gourmet” “panelas compradas com o salário do seu emprego CLT” e etc. Juro, a maioria dos comentários que eu li, seguiam nesse sentido.
E aí, eu sempre entro numa questão: Vc precisa ser pobre, miserável, ou pertencente a qualquer minoria desvalorizada para ter o direito de reclamar? Não acredito nisso. Acredito, que todos, e entendam: todos têm o direito de reclamar de algo que os afeta. Eu acho que justamente a grande dificuldade de governar (seja uma cidade, estado ou nação) é governar para todos. Não é governar para a classe média e esquecer dos pobres, não é governar para os pobres e esquecer da classe média ou alta, e tantos mil exemplos, a equação é simples, pra privilegiar grupo A ou B não se pode esquecer o C, D e E. Fato.
E os grupos prejudicados têm e tem que ter o direito de protestar. É assim com a parada gay, acho totalmente legítimo um movimento que destaca a força dessa parte significativa da sociedade, que ainda é tão injustiçada, e sofre tanto preconceito. Foi assim com o movimento passe livre, do grupo que defende condições especiais para os estudantes (e aqui acrescentaria outros tantos grupos que poderiam e deveriam ser beneficiados). É assim com os movimentos da CUT, do MST e enfim… Todo mundo tem o direito.
Agora o fulando, pq é da classe média não tem. Me digam por que?
Por acaso, na constituição diz em algum lugar que eu desconheça, que é crime ser bem sucedido?Ou, que é crime reclamar de qualquer coisa se você tiver boas condições de vida? E o mais engraçado, é que isso acontece numa sociedade capitalista.
Vai entender…

A tempo, tenho panelas tramontina (ganhadas), não tenho varanda (nem gourmet, nem pra rede preguiçosa para deitar, nem pra tomar um arzinho), tenho carro, mas trabalho de ônibus.. Nasci numa família bem simples, consegui estudar, me esforcei muito para conseguir qualquer coisa nessa vida, e hoje tenho uma vida um pouco mais confortável, fruto de muito trabalho. Não tenho férias, FGTS ou 13º, não me falta nada, mas também não sobra. Isso não me faz pior nem melhor que ninguém. A inflação me atinge sim, assim como atinge qualquer outra dona de casa, ou pai de família, a cada nova ida no supermercado, é um susto, cada vez diminuindo mais a lista de compras. Cebola? Socorro, são duas para passar o mês e olhe lá! A conta de luz quase dobrou, em menos de um ano. Não tem água, não tem ônibus na periferia, todos os dias são quase 30 min de espera. O que quero dizer, é que existe sim, problema no governo federal, estadual e municipal. Não é um anti petismo, é uma conclusão de que no ponto que as coisas chegaram, não dá mais. E aos que dizem que a crise não existe, desafio a fazer compras no super mercado 3 meses seguidos e pagar o mesmo valor nas coisas nos três meses. A crise pode não ter atingido todas as faixas da sociedade, mas ela existe sim, não adianta fechar os olhos para o desemprego que só cresce, para as demissões em massa, para a economia que encolhe. E por favor, não me venha com aquele argumento do lucro do itaú. Os bancos vão continuar enriquecendo sim, às custas da população endividada, que fica a mercê da alta dos juros e da inflação.
Não bati panelas, e não vou bater, mas não tem nada que tiraria esse direito de mim ou de qualquer outra pessoa.

Viver com o medo

A grande verdade da vida é que o mundo está pouco ligando para os seus medos, então, o jeito é acreditar naquela frase feita “e se der medo, vai com medo mesmo”.
Quem sou eu pra dizer de medo, né? Sou a maior medrosa do mundo. Mas também sou prova de que se a gente não enfrentar nossos medos, ninguém, ninguém mesmo o fará por nós.
Mas muitas vezes a gente acaba achando que não, que as pessoas têm que entender, que vão entender, que vão passar a mão na nossa cabeça e deixar pra lá.
Seria bom se fosse assim, mas a sociedade não está ligando para nada dos seus medos e frustrações, e se você não souber lidar com isso, vai sempre ficar para trás, e sempre tentar colocar a culpa em algo ou alguém.
Vou abrir espaço para ser um pouco preconceituosa. Me julguem… Na sociedade de hoje, não tem espaço para a mulher moderna que tem “medo de dirigir”. E aqui, cabe um parentese, que tem muita gente que confunde medo de dirigir (doença) com aquele medinho básico que (quase) todo mundo tem de algo novo.
Sim, eu digo isso pq eu sofri demais com o medo de dirigir, e quando rola isso em alguma rodinha de conversa, sempre tem alguém que diz, ah mas eu também tenho, ah mas todo mundo tem. Não, não é todo mundo que tem. Felizmente, porque o medo (patológico) é uma coisa assustadora, paralisante. Mas eu sou a maior incentivadora das pessoas enfrentarem e vencerem esse medo. Porque sim, é possível. E uma frase que eu costumo dizer muito, é: Se eu consegui vencer, eu tenho certeza que todo mundo consegue.
É difícil. Você vai precisar de boas pessoas com muita paciência e compreensão ao seu lado (graças a Deus eu tive), talvez você precise de ajuda profissional, não há mal nenhum nisso, existem muitos profissionais habilitados para tratar esse problema, mas o principal, você não pode ter dó de si mesmo, e vai precisar de muita força interna para vencer.
Meu maior incentivo, foi o testemunho de uma colega, que carregava a maior tristeza do mundo por não ter conseguido, desistiu e acabou vendendo o carro. E ela me falou, você não vai querer carregar essa frustração para sua vida. E realmente, eu não quis!
Só eu, meu pai e minha mãe sabem o que eu sofri, as noites sem dormir, e passando mal (muito mal mesmo, toda vez que meu pai falava, amanhã vamos sair para você treinar, era um horror, eu vomitava a noite inteira, criava mil problemas e dificuldades, não conseguia dormir, tinha pesadelos horrorosos). Meu pai, tinha uma paciência incrível. Eu chegava na garagem, abraçava o volante durante horas, e chorava de soluçar até não ter mais forças nem lágrimas, e ele estava lá fora, de pé, me esperando. Minha mãe tbm, com todo o carinho que tem naquele coração, rezava por mim, me incentivava, ensinava técnicas de relaxamento. E aí, depois de todo esse fuzuê, la estava eu, saindo de ré pela garagem, e perguntando o tempo todo: E agora, o que eu faço? Pra que lado eu viro o volante?
Eu sabia, que dependia de mim, mais do que de qualquer outro. Cada vez que eu arrumava uma desculpa para não ir, andava duas casinhas para trás. Mas me lembrava que não podia desistir.
E eu não desisti. Venci. Com a ajuda da minha família, e com a minha ajuda.
E eu te pergunto, se eu não tivesse insistido tanto? Quem teria me levado para tantos caminhos que segui? Quantas viagens, quantas descobertas, quantos caminhos, quantos trabalhos… Enfim. Quanta coisa que eu fiz. Sozinha ou não, por mim ou pelos outros.
Então, sempre que um novo medo me paralisa, me apavora eu me lembro de tudo isso, do quanto eu amo dirigir hoje, e do quanto ter esse independência já me ajudou e ajuda até hoje.
E aí, la no fundinho, acho um restinho de forças para encarar o medo. Porque deixar de ter medo, dificilmente eu (medrosa master) vou deixar, mas deixar de viver por medo, também não quero.

Pensando em voltar

O meu blog está totalmente abandonado, eu sei. Mas acompanhando o blog de uma amiga da pós (http://www.correriademulher.com.br/) que me identifiquei tanto, senti vontade de voltar. Principalmente lembrando a razão de ser dele. Afinal, não preciso desabafar no facebook ou no twitter, e ainda não tenho um terapeuta… então… Vamos tentar. Desde que parei de postar aqui, muita muita muita coisa mudou. Mesmo!

Mas impressionante, lendo o último post, faz um ano, mas poderia, facilmente ter sido escrito semana passada.

Bom, de verdade, esse é só o pontapé inicial, juro que vou tentar voltar de vez, to sentindo falta de expor tudo aquilo que fica guardadinho.

Cotidiano

Quando eu era moleca, tinha uns amigos com uma banda chamada “resta menos 1”. Comecei essa semana exatamente com esse pensamento: Resta menos uma. E confesso que não foi num sentido pessimista não. Foi até com uma sensação de dever (quase) cumprido. O último mês foi bem puxado. A rotina de ficar no mínimo 15 horas fora de casa tem sido pesado. Uma porque não tenho mais o rítimo jovial da época trabalho/faculdade, outra porque não recebo o salário de 2 empregos (como tantos amigos encaram no nosso mundo audiovisual), e outra ainda, porque agora tenho casa, marido e uma rotina cheia de coisas a resolver.

O cansaço pega, mas não é o pior não. O foda mesmo é o tanto de coisas a encarar quase dez a noite, depois de ter acordado tão cedo.), uma experiência intensa. Muito intensa. Um mundo com o qual não estou nada habituada. Mas… quem disse que algo vem fácil nessa vida né.

Semana passada, tive uma crise. Uma série de acontecimentos se reúniram para me tirar do sério total. Com muito choro, estresse, cansaço…. Para quem ainda não tem uma casa pra cuidar, eu já aviso de antemão, tem dias que dá crises fortes mesmo. A gordura no fogão, o cesto de lixo, o sapato espalhado pela casa, a roupa pra lavar, a fome, as contas… Ufa. Enfim, tem dia que vc quer simplesmente sumir e deletar todas essas coisas.

Fiz o que muita recém casada faz numa hora dessas. Liguei pra minha mãe para “chorar minhas pitangas”. E não queria uma solução, uma fórmula mágica, um refúgio. Nada disso. Eu só queria contar. Tava podre, acabada, decepcionada, triste e perdida. Mas incrivelmente depois de colocar tudo pra fora, alivia um pouco né.

Minha vida não é uma droga, um desastre, muito longe disso. Minha vida é uma delícia.

Mas quem não entra em parafuso de vez em quando?

Eu entro com uma certa frequencia. Coitado do marido que tem que aguentar bem de pertinho.

E na tripla jornada do mundo feminino, no último mês, quem mais tem sido negligenciado tem sido aqueles cuidados que são quase uma terapia para a maioria das mulheres. As unhas e sombrancelhas feitas, uma maquiagem para dar um pouco de leveza às olheiras que vieram com tudo. O tempo para pensar numa roupinha um pouco mais legal…. É, tenho que admitir. Ta tudo no mais fácil e no automático… Sem contar a eterna briga com a balança! E a tentativa de manter o mínimo de saúde comendo frutas, verduras e legumes, para compensar todos os erros nutricionais do dia a dia.

Mas a boa notícia é que resta menos uma. E agora são apenas 3 semanas.

E depois… bom, depois ainda não sei. Aceito sugestões 🙂

Vida nova vida….

Meio atrapalhada. Essa a primeira descrição quando penso em como tem sido esse primeiro impacto de “dona de casa”.
Sim, a vida está uma delícia, e esses dias, pensando sobre os nossos primeiros passos, vejo tudo como uma aventura. Aliás, desde o início da reforma até hoje, todos os dias são novas aventuras.
Ainda não sei se um dia serei uma boa dona de casa, acho que na verdade não, muito menos uma cozinheira de mão cheia. Mas desde que a gente esteja se divertindo, tá tudo certo.
E que as alegrias das descobertas apaguem os dias de chateação… Que assim seja, para todo o sempre: Amém!!

Eu digo sim

“um dia eu acordei e soube…”

 

Agora quer saber como eu tive certeza que queria me casar?

Bom, é simples, mesmo não sendo tão simples assim… Vou tentar explicar. Casais têm momentos bons e ruins praticamente todos os dias, isso não quer dizer que eles vão se casar…

Decidi casar, porque penso (em todos os momentos do meu dia), o quanto a presença desse ser me faz bem. O quanto eu quero que ele esteja por perto, independente do meu humor. O quanto o seu abraço me acalma em qualquer circunstância.

É esse beijo que eu quero todas as manhãs, para começar o dia, é esse aconchego que eu quero todas as noites para me garantir que tudo ficará bem. É sorrir com cada mensagem, cada ligação, cada almoço, cada dia comum.

Tem muita gente esperando viver momentos especiais, dias de festa ou comemorativos. Eu não! Eu quero tê-lo para todos os dias da minha vida, independente do que aconteça. Quero transformar nossas vidas ainda mais. Na nossa realidade, no nosso jeito. É isso sim que eu quero.

Ser dele, sem nenhum machismo, feminismo ou sexismo. Partilhar todos os meus momentos. Dormir tranquila porque sei que ele está lá.

Tenho todos os motivos para acreditar que sim. Eu vou me casar. Vou sorrir. Vou viver tranquila, até mesmo nos dias de tormenta.

É você que eu escolhi, é para você que eu digo sim!